Nova Portaria regulamenta torneios de canto e fibra de Passeriformes no Espírito Santo
A nova Portaria Conjunta da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), publicada nesta terça-feira (19), regulamenta a realização de torneios de canto e fibra com aglomeração de aves da ordem Passeriformes no Espírito Santo. A medida estabelece regras sanitárias e ambientais para garantir mais segurança, rastreabilidade e controle na realização desses eventos.
A regulamentação foi construída de forma integrada entre o
Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) e o Instituto Estadual de
Meio Ambiente (Iema), em alinhamento com as novas diretrizes do Ministério da
Agricultura e Pecuária (Mapa), especialmente após a atualização do Manual de
Emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA) para animais silvestres.
A principal novidade da norma é a possibilidade de
utilização do Sistema Informatizado de Gestão da Criação de Passeriformes
(SISPASS) como ferramenta de rastreabilidade das aves em eventos realizados
exclusivamente dentro do Espírito Santo, substituindo a necessidade de emissão
da Guia de Trânsito Animal (GTA) nos casos intraestaduais. A medida reduz a
burocracia e simplifica os procedimentos para criadores regularizados, sem
comprometer o controle sanitário e ambiental.
A possibilidade de utilização do SISPASS em substituição à
GTA para eventos intraestaduais teve origem em proposta apresentada pelo Idaf
ao Mapa, em fevereiro de 2025. A iniciativa resultou na criação de um Grupo de
Trabalho Nacional para discussão técnica do tema, no âmbito do Fórum Nacional
dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa).
Como resultado desse trabalho conjunto, o Departamento de
Saúde Animal (DSA) do Mapa aprovou a proposta e atualizou o Manual de Emissão
de GTA para Animais Silvestres, passando a prever o SISPASS como ferramenta
oficial de rastreabilidade para Passeriformes destinados a eventos.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli,
ressaltou a construção conjunta da medida e os avanços proporcionados pela nova
regulamentação.
“Essa é uma ação construída de forma integrada entre a
Secretaria da Agricultura, a Secretaria do Meio Ambiente, o Idaf, o Iema e os
criadores de pássaros, buscando mais agilidade nos processos, gestão eficiente
e transparência. O resultado é mais segurança para os animais e melhores
condições de manejo, transporte e participação nos torneios, sempre priorizando
a integridade e a qualidade de vida das aves. É um avanço importante, que
demonstra ser possível conciliar organização, respeito à legislação ambiental e
proteção da fauna de forma equilibrada e responsável”, destacou.
O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos,
Victor Ricciardi, destacou que a medida representa um avanço para a gestão
ambiental no Estado.
“A regulamentação representa um marco histórico para a
gestão ambiental capixaba, ao estabelecer critérios que facilitam a realização
dos eventos, garantindo rastreabilidade, segurança e bem-estar animal, sempre
priorizando a proteção da fauna silvestre e sua tutela responsável. A portaria
inaugura um novo modelo de organização dessa atividade no Estado, conciliando
tradição cultural, responsabilidade ambiental e fiscalização”, afirmou.
De acordo com o diretor-geral do Idaf, Ronaldo Salomão
Lubiana, com um trabalho de vigilância garantido pelo Serviço Veterinário
Oficial do Estado, executado pelo Idaf, foi possível evoluir a regulamentação.
“Avançamos em termos de agilidade e redução de burocracia, prezando pela
manutenção da segurança sanitária animal e pela gestão ambiental responsável.
Além disso, o alinhamento com o Iema fortalece a atuação integrada,
contribuindo para a fiscalização e o aprimoramento dos torneios”, pontuou Lubiana.
“A atualização da Portaria Conjunta reitera o rigor do marco
regulatório já existente para a realização de torneios de canto e fibra no
Espírito Santo, fortalecendo a cooperação estratégica entre o Iema, no controle
ambiental, e o Idaf, como autoridade sanitária veterinária. Ao ampliar a
responsabilidade fiscalizadora das entidades associativas, a medida intensifica
o combate a irregularidades, exigindo uma rastreabilidade ainda mais minuciosa
da origem das aves e protocolos de biosseguridade para prevenir riscos sanitários nos recintos
de competição. Essa sinergia contínua entre o Iema e o Idaf assegura a
regularidade e o bem-estar animal nas exibições, assim, a tradição dos torneios
é mantida dentro dos mais altos padrões de segurança sanitária e ambiental”,
completou o diretor-geral do Iema, Mario Louzada.
Prevenção à Influenza Aviária
Ao mesmo tempo, a Portaria reforça as medidas de
biosseguridade voltadas à prevenção da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade
(IAAP), mantendo critérios rigorosos para autorização dos eventos. Entre as
exigências estão avaliação epidemiológica pelo Idaf, apresentação de planos de
biosseguridade, controle de rastreabilidade das aves participantes, presença de
médico-veterinário responsável técnico e adoção de medidas de limpeza,
desinfecção e isolamento sanitário.
Outro ponto importante da norma é o fortalecimento da
atuação integrada entre Idaf e Iema, com definição clara das competências de
cada órgão na autorização, fiscalização e monitoramento dos torneios.
A regulamentação também prevê mecanismos para suspensão
imediata dos eventos em caso de risco sanitário, garantindo agilidade na adoção
de medidas de proteção da avicultura comercial, das aves silvestres e da fauna
estadual.
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